A Reforma Protestante deve continuar

sábado, 10 de agosto de 2013



Ouvi, alhures, um famoso ex-presbiteriano e ex-defensor da Bíblia Sagrada — o qual tem desabsolutizado e negado inúmeras verdades das Escrituras — dizendo que, se Francisco fosse o papa, no século XVI, não haveria necessidade de os reformadores terem iniciado a Reforma Protestante. Bem, vamos voltar um pouco no tempo para ver se isso é verdade. 

Wittenberg, Alemanha, 31 de outubro de 1517. Martinho Lutero publica suas 95 teses, dando início à Reforma Protestante. Ao difundi-las, ele pretende, sobretudo, o esclarecimento teológico de uma questão que o envolve como confessor de seus paroquianos: as indulgências, utilizadas pela cúria romana para satisfazer suas necessidades financeiras. Mas as críticas de Lutero não se restringem às indulgências. Ele se opõe à própria existência do papado — posto que este reivindica a infalibilidade — e à maneira como o papa usa o dinheiro dos fiéis.

À semelhança de Lutero, outros reformadores, como Calvino, Zuínglio, Menno Simons, Henrique VIII, John Knox, Erasmo de Roterdã, etc. se opõem ao papado. Para eles, as Escrituras, a Palavra de Deus, não abonam a infalibilidade do papa e a alegação de que ele é o fundamento da Igreja e sucessor de Pedro.

O que mudou, desde o século XVI, para que hoje não houvesse mais a necessidade de os reformadores continuarem protestando contra o papado? Praticamente, nada! A Santa Sé ainda defende o dogma da infalibilidade do papa. Ou seja, a Igreja Católica Apostólica Romana continua afirmando que o papa — mesmo que ele carregue a própria mala e ande num carro popular —, quando delibera e define solenemente algo em matéria de fé ou moral, está sempre correto. Ela mantém, ainda, a falácia de que a linhagem de Pedro, isto é, o papado, é o fundamento da Igreja.

Ora, a pedra ou o fundamento ao qual Jesus fez referência, quando disse: "eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mateus 16.18), é a própria declaração que Pedro fizera a respeito de Cristo: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (v. 16). Isso se evidencia no versículo 17: ao elogiar a declaração de Pedro, Jesus afirma: "Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus".

Por que a "pedra" ou o "fundamento" no qual a Igreja foi estabelecida não é Pedro? Porque as Escrituras, que são análogas, afirmam que o fundamento da Igreja é Cristo, e não Pedro. Aliás, esse mesmo apóstolo reconheceu — pregando e escrevendo — que Jesus é a pedra fundamental da Igreja: "Este Jesus é a pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular" (Atos 4.11); "Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa" (1 Pedro 2.4).

Em 1 Coríntios 3.11 também está escrito: "ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo". Note que esta passagem, além de afirmar que Cristo é o único fundamento da Igreja, apresenta uma proibição tácita: não ponha outro fundamento. Em outras palavras, não ponha Pedro, João, Maria ou Francisco. O único fundamento da Igreja é Jesus Cristo!

Diante do exposto, a Reforma Protestante deve continuar. Quem disse que ela acabou? A diferença é que hoje ela é mais abrangente e abarca, também, os desvios verificados na igreja evangélica. Os reformadores que se prezam — isto é, os pregadores e escritores que primam pelas Escrituras — verberam não apenas contra os dogmas romanistas antibíblicos. Eles também se opõem firmemente contra a falaciosa Teologia da Prosperidade, as heresias e os modismos pseudopentecostais, o evangelho antropocêntrico, o legalismo farisaico, a gospelolatria, etc. 

Pr. Ciro Sanches Zibordi 

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