Heresias Neopentecostais: Amantes da Visão

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Era uma tarde comum quando meu primo me envia uma imagem pelo whatsapp que trazia a seguinte mensagem: "Se você quer mudar o mundo, você precisa ter paixão pela visão da sua igreja".

Como alguém consegue elaborar uma frase tão absurda e ainda assim ganhar seguidores? Até Michael Jackson cantava algo bem mais cristão quando, na música Man In The Mirror, ele dizia: "Se você quer fazer do mundo um lugar melhor, olhe pra si mesmo e comece a mudança... comece pelo homem no espelho".

Esse mundão gospel-pagão conhecido como Neopentecostalismo, está criando pessoas com distúrbios espirituais e psíquicos que chamo de Amantes da Visão.

São pessoas apaixonadas por seus líderes, sua igreja, pela visão de sua igreja, por números e metas, alvos, células, poder, conquistas... etc, mas que desconhecem o verdadeiro Evangelho.

A tal heresia da visão eclesiástica teve início em César Castellanos, na Colômbia, mas, ao contrário do que pensava, seu País não foi conquistado pelo Evangelho através de um grande avivamento através das células, conforme tinha visto em sua "visão". Mas a sua igreja cresceu... Sua igreja e não a Igreja de Cristo.

Mesmo que a visão tenha falhado, essa heresia chegou ao Brasil, especialmente através de líderes hereges como Terra Nova, Milhomens e Rodovalho.

São propagadores de falácias como "superioridade eclesiástica", pois colocam na mente de seus seguidores que suas igrejas são superiores e que a tal visão é o avanço essencial do Evangelho.

Castellanos certa vez afirmou sobre sua visão: “... a igreja celular é o paradigma da congregação mais poderosa do mundo. Pode-se dizer que um pastor que não entra nesta dimensão está matando o progresso do evangelho em sua área.” (Castellanos, César. Sonha e Ganharás o Mundo. Palavra da Fé Produções, São Paulo, 1999).

Pra que Espírito Santo se o negócio agora é a Visão Esclesiástica (leia-se Células)?!

A tal visão nada mais é do que a igreja em células, conhecidas como G-12, M12, MDA...

Amar a visão de sua igreja é um conceito anti-bíblico, pois a Bíblia jamais, JAMAIS, fala de algo parecido com essas asneiras neopentecas.

Fatos a se considerar sobre ter Paixão pela Visão de sua Igreja:

1. A Bíblia não fala de igrejas como denominações. Denominações e templos cristãos são obras do período pós-Constantino, quando a Igreja Católica Romana introduziu o paganismo no cristianismo primitivo, e do surgimento dos movimentos protestantes e do evangelicalismo.

2. A Bíblia não fala de visão como sendo um método de organização (como o G12, M12 ou MDA) e nem como aspirações. Visões eram intervenções divina na vida dos profetas para que vissem e entendessem o futuro. Visão, como tratado atualmente, é algo presente em empresas, onde se tem uma Missão e uma Visão. Daí fica a pergunta: Somos empresas ou igrejas?

3. Não devemos ter paixões: A palavra paixão vem do latim e significa sofrimento. A Bíblia sempre fala de paixões num sentido pejorativo. Paixão está associada a concupiscência e luxúria.

4. Para mudar o mundo devemos mudar a nós mesmos através da santificação, obra exclusiva do Espírito Santo, e não da igreja.

5. Não devemos seguir cegamente o que nossos líderes pregam e tomar como verdadeiro tudo o que dizem. Lembram dos crentes de Beréia (Atos 17:11)? Eles examinavam se o que era falado, realmente estava na Palavra de Deus.

Para finalizar, enquanto você está apaixonado por sua igreja e pela visão de seus líderes que apenas propagam a visão dos líderes deles, pessoas estão lá fora carecendo do Evangelho puro e simples, esse que dificilmente é pregado em empresas que colocam na mente dos seus seguidores que o amor a visão da igreja pode mudar o mundo.

O que muda o mundo é o poder do Evangelho em nós, e não a paixão pela sua igreja...

Diego Rodrigo Souza
Creio No Amanhã

Dilma, os evangélicos, os políticos, Deus e o capeta.

domingo, 10 de agosto de 2014

Pode haver outros, mas creio que poucos jornalistas combatem com tanta firmeza o preconceito que há no Brasil, nas camadas ditas mais cultas — no geral, são apenas pessoas orgulhosas do pouco que sabem e do muito que não sabem — contra os evangélicos. Na verdade, existe um preconceito muito forte contra os cristãos. Os católicos também são alvos constantes de desconfiança. Mas não vou tratar disso agora. O que me incomoda profundamente em período eleitoral é a busca desesperada dos políticos pelos votos dos crentes. Muitos chegam a afirmar até uma convicção que não têm só para conquistar o eleitor.

Nesta sexta, por exemplo, a presidente Dilma esteve na Assembleia de Deus do Brás, em São Paulo – um braço da Congregação de Madureira. Foi convidada a discursar no Congresso Nacional de Mulheres da Assembleia de Deus Madureira, que reuniu fiéis de todo o país. Lembrou que o Brasil é um país laico, mas citou o Salmo 33, de Davi: “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”. Então tá bom. Eu preciso lembrar aqui algumas coisas.

Quando ministra do governo Lula, Dilma concedeu mais de uma entrevista dizendo-se favorável à legalização do aborto. Está tudo documentado. Eu lido com fatos, não com impressões. Notem, leitores: um candidato tem o direito de pensar o que quiser. Não pode, ou não deve, é fingir o que não pensa. A então ministra chegou a comparar a eliminação de um feto com a extração de um dente. Houve uma forte reação dos cristãos — e percebam que, aqui, eu não estou me posicionando sobre o aborto, mas sobre a hipocrisia política. E se inventou uma Dilma que seria contrária ao aborto.

A então candidata foi a um programa de TV e se disse católica — chegando a chamar Nossa Senhora de “deusa”. O cristianismo é monoteísta, vale dizer: crê num único Deus. Nossa Senhora, como se sabe, é uma santa. Chegou a ir a Aparecida e foi filmada persignando-se — de maneira errada, diga-se. Eleita presidente, nomeou para o Ministério da Mulheres Eleonora Menicucci, uma defensora fanática do aborto, que já havia confessado tê-lo feito, em outras mulheres, com as próprias mãos. Fatos. Eu só lido com fatos.

Os cristãos, com mais ênfase os evangélicos, fazem um intenso trabalho de convencimento contra a descriminação das drogas, por exemplo. O governo desta Dilma que vai a um templo evangélico citar um Salmo de Davi pôs em prática uma política pública escancaradamente favorável à descriminação, ainda que o faça de maneira um tanto oblíqua. Em maio de 2013, vários entes federais promoveram um seminário em Brasília, patrocinado com dinheiro público, em favor da descriminação e da legalização das drogas. Não se convidou para o evento um único representante que se opusesse a essas teses. Fatos. O governo Dilma, por intermédio do Ministério da Saúde — especialmente na atual gestão, de Arthur Chioro, combate com unhas e dentes as chamadas comunidades terapêuticas, que atuam com dependentes químicos — algumas são ligadas a igrejas evangélicas. Fatos.

No dia 27 de janeiro de 2012, no Fórum Social de Porto Alegre, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, afirmou que os petistas deveriam se preparar para travar com os evangélicos uma luta ideológica para disputar a chamada “classe C”. Entenderam? Para ele, seu partido e os cristãos dessas denominações têm interesses contraditórios.

Também não demonizo posições. Cada um pense o que quiser e dispute o coração do eleitor. O que estou cobrando é honestidade intelectual. Dilma tem o direito de defender a descriminação do aborto ou sua política simpática à descriminação das drogas. O que me desagrada, e isto vale para qualquer partido, é essa mania de alguns políticos de achar que Deus tem prazo de validade: geralmente, vai de julho a outubro dos anos pares, que são os eleitorais. Depois, quem costuma dar as cartas na política é mesmo o capeta do vale-tudo.

Reinaldo Azevedo
Veja