Sete considerações sobre o Natal

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O colunista, teólogo e palestrante Silvio Costa faz 7 considerações sobre o Natal que comemoramos.

Escrevi um texto sobre o Natal aqui: Natal e Cristo: Nada a Ver

Apresento uma breve reflexão minha sobre o natal; espero que também lhe seja proveitosa.

Cronologicamente, Jesus não nasceu em 25 de dezembro. Em relação ao dia do nascimento de Jesus há divergências e motivos para tal – como, por exemplo, reforma do calendário ocidental e critérios diferentes para a convenção da data, de modo que uns afirmam que Cristo nasceu em setembro, à maioria em dezembro e poucos em janeiro – não existe concordância do dia específico em que Jesus nasceu nem mesmo entre os cristãos. Os argumentos mais contundentes de que 25/12 não é o natal de Jesus Cristo são os registros históricos do Novo Testamento ligados ao fato e que quando aparelhados desacreditam a referida data.

Climaticamente, 25/12 contraria aos eventos listados em Lc: 2.1-4 – locomoção de massas e trabalho ao ar livre. De acordo com as estações e clima da palestina, dezembro é inverno por lá, com chuvas e bastante frio – reiterando que por conta do clima, não seria possível alistamento em massa e nem pastores com rebanhos nos campos à noite conforme narrado em Lucas 2.1,6,8. Ademais, a citação de João 10.22 de que Cristo participou da festa da dedicação, que acontecia também em 25 de dezembro e que era inverno – acaba com a possibilidade de a celebrada data ser o dia do nascimento de Jesus – que nasceu numa estação mais quente e seca.

Biblicamente, os magos não estiveram com Jesus na manjedoura.
Mateus 2:11 acaba com a falsa idéia transmitida pelos presépios natalinos em que aparecem os magos no cenário imediato do nascimento de Jesus. Esses sábios encontraram Jesus num período de tempo possível à quase dois anos depois de seu nascimento (Mt 2:16) em uma casa (Mt 2:11) e não numa estrebaria na comarca de Belém – conforme representam os presépios de natal. Ao que tudo indica a tradição confundiu-se com os pastores de Belém – que viram Jesus na manjedoura (Lc 2:16) com os magos que só encontraram Jesus numa casa, tempos depois de seu nascimento.

Textualmente, não sabemos se os magos eram reis e nem se eram 03.
Não há informações bíblicas e históricas suficientes para afirmarmos que os magos eram reis, embora o episódio pareça se encaixar parcialmente no vaticínio do Salmo 72:10, não se confirma como evento conclusivo se eram reis os magos. Não se pode nem afirmar que eram 03 magos, baseado no número de presentes ofertados; não se pode aceitar que se chamavam Melchior, Gaspar e Baltazar, pois não há documentos confiáveis ou bibliografia que sustente tal nomeação. Embora tenham ofertado ao menino Jesus presentes de nobre realeza, a idéia de “reis magos” é inexistente no texto sacro. Feitas as considerações diante da crença popular nos “reis magos” descobrimos mais uma inverdade atrelada ao natal de nosso Senhor.

Teologicamente, papai Noel é um embuste ao verdadeiro natal cristão. O pano de fundo do natal de Jesus é Cristocêntrico e soteriológico, i.e está centrado em Cristo e ligado ao plano de salvação de Deus aos homens. Em síntese, todos os outros sentidos atrelados a data são acessórias e não cabem mais personagens – a figura real e central é Cristo. Sendo assim, Papai Noel é uma farsa possivelmente inspirada na boa intenção de Nicolau arcebispo de Mira na Turquia no Século IV e reaproveitada por corporações americanas no século XX para fins comerciais. A existência de papai Noel é produto de um marketing anticristão que apela ao consumismo e tenta extrair a figura de Jesus de seu próprio natal.

Historicamente, que sentido tem árvore de natal com o natal de Jesus? Nenhum. Mas, já com o paganismo tem muito a ver. Por exemplo, nas vésperas do solstício de inverno, os povos pagãos da região dos países bálticos cortavam pinheiros, levavam para seus lares e os enfeitavam de forma muito semelhante ao que faz nas atuais árvores de Natal. No início do século XVIII, o monge beneditino Bonifácio tentou acabar com essa crença pagã. Com um machado cortou um pinheiro que os locais adoravam no alto de um monte. Como teve insucesso na erradicação da crença, decidiu associar o formato triangular do pinheiro à Santíssima Trindade e suas folhas resistentes e perenes à eternidade de Jesus. Nascia aí a Árvore de Natal, e pelo que vimos – o tiro saiu pela culatra.


Praticamente, o natal perdeu o seu sentido até entre quem se diz cristão. Poucos refletem sobre o presente do céu que receberam; se quer meditam nas mensagens do natal. A verdadeira celebração do natal que é comemorar Jesus entre nós para nos reconciliar com Deus inexiste para a maioria – triste constatação. Contentamo-nos com apresentações, encenações e cantatas natalinas; regalamo-nos com banquetes fartos e troca de presentes e só. É bem provável que o natal de muita gente será maravilhoso do ponto de vista comercial e social com árvores de natal lindas, Papais Noéis amigáveis e presentes desejáveis; uma pena que a razão de toda essa festança sequer será lembrada.

Que o Senhor nos abençoe com as verdadeiras essências do natal em nossas comemorações!

Silvio Costa
GNotícias

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