Apocalipse 12: A Mulher e o Dragão

sábado, 9 de maio de 2015


Ao lermos o livro de Apocalipse, em meio a selos, taças, cartas, cavalos, etc., nos deparamos com um evento interessante, envolvendo uma mulher, seu filho varão e um Dragão. Mas quem, afinal, são esses personagens? A quem representam?

1. A Mulher: Existem três interpretações sobre quem seria ela: Israel, Maria ou Igreja.

Não é Israel: A mulher não poderia ser Israel por dois motivos.
A. Apocalipse é futuro, e não passado: João estava tendo uma visão dos fatos que ainda iriam acontecer, conforme lemos no primeiro versículo de Apocalipse: "Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo." Apocalipse 1:1.
Se acreditarmos que a mulher é a nação de Israel, iremos causar uma confusão na interpretação. Se a mulher é Israel e o filho varão é Jesus, então João não estaria tendo uma visão do futuro, e sim do passado, visto que na época em que foi escrito o Apocalipse, Jesus já tinha nascido e sido elevado aos Céus. Mas João não estava tendo uma visão do passado, e sim do futuro. Apocalipse é a revelação dos eventos futuros. Muitas profecias passadas são explicadas e entendidas em Apocalipse, mas João jamais escreveu que estava vendo coisas do passado, apenas os fatos vindouros eram a luz sobre as sombras do passado, esclarecendo-as.
B. Sentido Literal x Sentido Figurado: Quando lemos Apocalipse, temos que identificar e compreender se a revelação que João escreveu foi literal ou algo figurado. O capítulo 12 é todo figurado, e os dois sentidos não podem se misturar dentro de uma mesma história. Se a mulher é Israel num sentido figurado, então o filho varão teria que ser figurado. Mas Jesus é literalmente um filho varão, então essa interpretação causa problemas, pois uma personagem figurada (mulher = Israel) jamais poderia dar a luz a um personagem literal (filho varão = Jesus). Logo, é mais correto afirmar que a mulher não era Israel.
Então, se João escreveu sobre o futuro de todo o povo de Deus, judeus e cristãos, num sentido figurado, a mulher só poderia representar duas personagens: Maria ou Igreja.

Não é Maria: O problema de ser ou não Maria, não tem a ver com o sentido da profecia, pois, nesse caso, uma personagem literal (mulher = Maria) daria a luz a um personagem literal (filho varão = Jesus). Nesse caso, teríamos que admitir que todo o capítulo 12 seria literal, o que iria nos obrigar a acreditar que realmente existirá um dragão com sete cabeças e dez chifres, o que, logicamente, não é a verdade. Mas o que nos faz acreditar que não é Maria são os poderes que a mulher tem (vestida de Sol, doze estrelas, Lua sob os pés), que não condizem com a verdade bíblica sobre Maria.
Maria não recebeu poder e nem autoridade nenhuma de Deus, apenas o glorioso fato de ser a mãe de Jesus. E, ao analisarmos a fuga da mulher para o deserto e todo o desenrolar da história dela nesse capítulo, logo veremos que a mulher não é Maria. A interpretação católica sobre Maria é a mais frágil de todas as três, bastando uma leitura superficial para logo descartarmos essa ideia.

A Mulher é a Igreja: A Bíblia fala várias e várias vezes sobre uma mulher que é a Noiva de Cristo, e essa mulher é a Igreja. E agora, ao descobrir quem de fato é a mulher, vamos ver o que são os elementos descritos acerca da mulher.
A. Vestida de Sol: A Bíblia fala que o Sol foi criado para "governar o dia"(Gn 1:16) e por várias vezes o Sol é uma figura da Glória de Deus como em Salmos 84:11 (Porque o Senhor Deus é um sol e escudo). Dessa forma, a mulher vestida de Sol é a Igreja com a autoridade de Deus para governar e revestida da glória Dele, ungida assim desde que foi edificada: "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" Mateus 16:18.
B. Lua debaixo dos pés: Assim como o Sol foi feito para governar o dia, a Lua foi criada para governar a noite (Gn 1:16). E noite aqui em Apocalipse 12 tem o sentido de escuridão e trevas. A mulher vestida de Sol com a Lua sob seus pés é a Igreja, com o poder e a glória de Deus sobre ela, com autoridade para vencer as trevas. Num sentido figurado, se a noite são as trevas e a Lua, que governa a noite, está embaixo dos pés da mulher, então o governante das trevas não tem poder contra a Igreja de Deus, o que nos é claramente explicado pelo versículo de Mateus 16:18, em que "as portas do inferno não vão prevalecer contra a Igreja".
C. Coroa de Doze Estrelas: São os 12 apóstolos. A Igreja foi edificada por Cristo, mas fundada pelos apóstolos. Mas pode ser que as 12 estrelas sejam, na verdade, a união dos 12 apóstolos com as 12 tribos. União e não adição. Os 24 anciãos de Apocalipse 4 são os 12 apóstolos com os 12 patriarcas, que deram origem as 12 tribos. Porém, aqui em Apocalipse 12, pode ser que cada estrela represente um patriarca junto com um apóstolo. Assim as 12 estrelas seriam os 24 anciãos, que representam a união em Cristo da Lei e da Graça.
D. Dores de parto: Revela que o filho varão nascerá muito em breve. Veremos quem é o filho varão mais adiante.

2. O Dragão Vermelho. Dos três personagens, esse é o único que não deixa dúvidas sobre quem é: Satanás. Ele é o inimigo da Igreja e quem quer impedir o nascimento do filho varão.
A.Vermelho: Vermelho é a cor do sangue, o Dragão vermelho simboliza o sangue dos que foram mortos por ele: "Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele". João 8:44.
B.Sete cabeças e sete diademas: Diademas são símbolos de realeza. As sete cabeças são sete reinos e são também reis (Apocalipse 17:9 e 10) diretamente influenciados por Satanás para oprimir o povo de Deus. Entendemos que os sete reinos que dominaram o povo de Deus foram: Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Persa, Grécia, Roma Imperial e Roma Eclesiástica (Papado).
C. Dez chifres: Os dez chifres representam a diversidade de poderes políticos, que até então não exerceram domínio, pois não havia diademas sobre eles. Estes poderes políticos receberam domínio somente mais tarde, após o surgimento da besta que subiu do mar (Apocalipse 13:1).

3. O Filho Varão. Num primeiro momento, o filho varão é o objeto de desejo e fúria do Dragão, mais do que a própria mulher. Então, quem seria mais odiado por Satanás do que a Igreja? Para descobrirmos isso, precisamos entender que a Igreja é formada por dois grupos: Os que serão arrebatados e os que passarão pela tribulação. A Bíblia fala que muitos sofrerão na tribulação e serão salvos, o que nos leva a concluir que, se a mulher é a Igreja, o filho varão são os fieis arrebatados antes da tribulação, e por isso que o Dragão quer impedir o nascimento, ele quer impedir o arrebatamento dos cristãos.
A. Irá reger todas as nações: Muitos atribuem essa autoridade a Jesus, os fazendo crer que Cristo é o filho varão. Já vimos que personagens figuradas não podem gerar personagens literais. A expressão "poder para reger todas as nações" aparece em Apocalipse 2:26,27: "E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações, e com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai." Então, segundo Apocalipse, quem irá ter autoridade para reger as nações? Lógico que Jesus já tem esse poder, mas os vencedores também receberão esse poder. Então concluímos que se a mulher é a Igreja, o filho varão serão os vencedores, arrebatados, que receberão o poder de reger todas as nações. Outro motivo para não ser Jesus, é que o varão foi arrebatado, ou seja, dependeu do poder de Deus para ser elevado aos céus, enquanto Jesus subiu pelo seu próprio poder, e por isso Ele não foi arrebatado.

A perseguição do Dragão contra a Mulher: A Grande Tribulação.

Quando o filho varão nasceu, logo foi arrebatado para o trono de Deus, como prometido em Apocalipse 3:21: Àquele que vencer eu darei o privilégio de se sentar comigo no meu trono, assim como eu também venci e me sentei com o meu Pai no seu trono.
O Dragão, furioso, foi atrás tentando impedir, mas ao chegar no Céu, foi expulso pelo arcanjo Miguel após uma batalha celestial (v.7). Então começa a Grande Tribulação, quando o Dragão volta a sua ira contra a mulher, que ficou na terra: Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo. E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem. (v.12,13).
Durante toda a perseguição, vemos Deus protegendo a mulher, mesmo na Tribulação, a Igreja estará sendo protegida por Deus, ainda que a situação seja bem pior do que nos dias de hoje, pois a fúria de Satanás será maior.
A. Um tempo, tempos e metade de um tempo (v.14): Aqui é uma referência ao que lemos em Daniel 7:25: "Proferirá insultos contra o Altíssimo e porá à prova os santos do Altíssimo; ele tentará mudar os tempos e a lei, e os santos serão entregues em suas mãos por um tempo, dois tempos e metade de um tempo." 

O capítulo 12 termina com o Dragão fazendo guerra contra a mulher, dando prosseguimento a Tribulação e a perseguição de Satanás aos santos de Deus, tanto cristãos quanto judeus.
E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo. (v. 12, 17).

Diego Rodrigo Souza
Creio No Amanhã