Deus se arrepende como os homens?

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Nas versões clássicas da Bíblia lemos: “Então, arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração” (Gênesis 6:6). Em outra parte, Deus diz: “Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras” (I Samuel 15:11). Se Deus é perfeito, como poderia se arrepender?

Primeiro, a Bíblia ensina de modo inequívoco que Deus é perfeitamente bom e, portanto, incapaz de fazer o mal (Salmo 5:4-5; Tiago 1:13; III João 11). Assim, o arrependimento de Deus não deve ser entendido como se fosse vinculado à culpa moral. Na verdade, a perfeição moral do Criador coloca-o à parte de sua criação manchada pelo pecado (Levítico 11:44-45; 19:2; 20:7; I Pedro 1:15-16).

Além disso, embora Deus não mude o significado da palavra, “arrepender-se” mudou ao longo do tempo. Desta forma, muitas traduções modernas substituem a palavra “arrepender-se” por “ficar triste”. De fato, como um pai humano fica triste com a rebeldia de seus filhos, nosso Pai celestial se entristece com a rebeldia da parte de sua criação.

Finalmente, o arrependimento de Deus deve ser entendido como um antropomorfismo, que expressa a medida completa da tristeza de Deus pelo horror do pecado, em vez de uma mudança de coração ou de mente. Em relação à infidelidade de Saul, Deus disse: “Arrependo-me de haver posto a Saul como rei” (1 Samuel 15:11). Porém, no mesmo contexto está escrito que “aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende;porquanto não é um homem, para que se arrependa” (v. 29). Fora de uma interpretação antropo­mórfica, tais passagens seriam autocontestadoras.

“E também aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é um homem, para que se arrependa” (I Samuel 15:29).

Deus Conhece o Futuro?

Um grupo significativo no Cristianismo — os teístas abertos — dizem atualmente que Deus não tem um perfeito conhecimento do futuro. Como respondermos a essa crise dentro do Cristianismo?

Primeiro, a Bíblia demonstra, do início ao fim, a onisciência de Deus. Nas palavras de Isaías, Deus conhece “o fim desde o princípio” (Is 46:10). Assim, o conhecimento de Deus é completo, incluindo as coisas futuras (cf. Jó 37:16; SI 139:1-6; 147:5; Hb 4:12,13).

Além disso, se o conhecimento de Deus acerca do futuro for falível, as profecias bíblicas que dependem de ação humana podem ser consideradas erradas. Até o discurso de Jesus no monte das Oliveiras poderia ter falhado, enfraquecendo a declaração de sua divindade. O próprio Deus poderia ter fracassado no teste bíblico para profeta (Dt 18.22). Na verdade, se o conhecimento de Deus sobre o futuro fosse incompleto, seríamos tolos de acreditar nEle para responder às nossas orações, negando a “confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos” (I João 5:14,15).

Por fim, embora os teístas abertos sugiram que Deus não pode saber o futuro por completo porque muda seus planos de acordo com o que as pessoas fazem, na realidade não é Deus que muda, mas sim as pessoas em seu relacionamento com Deus. Para fazer uma analogia, se você caminha em um vento contrário, luta contra o vento; se fizer um retorno na estrada, o vento ficará em suas costas. Não foi o vento que mudou, mas sim você em relação ao vento. Desta forma, a promessa de Deus quanto à destruição de Nínive não foi abortada porque Ele desconhecia o futuro, mas porque os ninivitas, que caminhavam em oposição a Deus, se desviaram de seus maus caminhos. De fato, todas as promessas de Deus para abençoar ou para julgar devem ser entendidas à luz da condição de que Deus retém as bênçãos por causa da desobe­diência e detém o julgamento por causa do arrependimento (Ez 18; Jr 18.7-10).

Isaías 46:9,10: "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim das coisas desde o principio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade."

Artigo Compilado
Ministério Apologético CACP

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