7 Conselhos para os Grupos de Louvor

segunda-feira, 11 de julho de 2016


A vaidade é algo comum em todo ser humano, mas, gostaríamos, com esse texto, chamar a atenção dos músicos: instrumentistas e cantores. Esta é uma categoria que tem ganhado muita notoriedade com o boom da música gospel e vem moldando a forma de cultuar da Igreja. Anteriormente, a congregação cantava embalada por hinários e um organista. Isto foi mudando e após a revolucionária década de 1960 a sonoridade pop invadiu as liturgias, com isso boa parte das igrejas aderiu ao que chamamos de “liturgia contemporânea”.

Embora gostemos das letras contidas nos hinários, pois teologicamente são bem robustas, não desprezamos a musicalidade de nossa época. Os louvores podem sim ter uma melodia que comportem serem tocadas por instrumentos como guitarra, bateria e baixo. Quanto a isso, não há nada de errado em si. O foco importante deve estar no comportamento do grupo de louvor e, sobretudo, no conteúdo daquilo que se canta. Fica a pergunta no ar: Os louvores contemporâneos são bíblicos?

Todos os cantores e instrumentistas que compõem os grupos de louvor devem saber exatamente o que significa louvar a Deus, e porque isso é parte importante no culto. Em Efésios 5.19, o apóstolo Paulo vai citar os elementos de culto e lá estão listados hinos e cânticos espirituais. Este é o respaldo bíblico para que a música seja parte importante no ajuntamento dos remidos para adorar ao Deus verdadeiro (durante a reforma do século 16, alguns teólogos eram contra as músicas executadas nos cultos). Portanto, é necessário entender que o objetivo do louvor não é demonstrar técnica exuberante e nem chamar a atenção da igreja a um determinado instrumento ou cantor. O objetivo do período de louvor é a glória de Deus.

Tendo este pressuposto bem definido (o louvor é para glorificarmos a Deus), gostaríamos de elencar alguns conselhos práticos para que os grupos de louvor pudessem se apresentar sem querer roubar a glória de Deus. Um princípio joanino deve vir sempre à mente quando o assunto é louvor e adoração: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3.30). Agora vamos aos pontos, que formam sete conselhos bem práticos:

I) Cantem as Escrituras: Aconselhamos aos grupos de louvor que organizem o repertório com músicas que mostrem claramente passagens bíblicas. Algo precioso da herança reformada é o princípio de que temos que ler a Bíblia, orar a Bíblia, pregar a Bíblia, cantar a Bíblia e viver a Bíblia. Se ela é nossa fonte suprema de sabedoria, o livro da revelação que nos alimenta espiritualmente, o retrato de Cristo (pois aponta para ele) e nosso guia prático, então porque cantar letras derivadas de outros mananciais? Chega de tanto humanismo e psicologia barata que fala que “você é campeão e vencedor”. Paremos com esses “hinos” que amaciam nosso ego e que não tem respaldo na Palavra. Embasemos nossas canções na Sagrada Escritura. Isto agrada a Deus.

II) Não molde o repertório ao gosto pessoal: O culto é determinado por Deus e não está ao bel prazer do grupo de músicos. Deus o instituiu para ser comunitário. A Igreja é quem louva e não o grupo de louvor sozinho. Lembrem que a congregação é multi-geracional, isto é, tem diversas gerações: idosos, adultos, jovens, adolescentes e crianças. Temos visto que o estilo de música mais atraente para o público jovem tem dominado as listas de canções nos cultos. Lembrem que, na igreja, nem todo mundo é fã de solos de guitarra e gritos ensurdecedores. Parem de tocar músicas de aulas de aeróbica. Não desprezem os antigos hinos, toque-os alternando-os com hinos mais recentes. E não se esqueçam da importância do nosso primeiro item, que é cantar a Bíblia.

III) Abaixem o volume e evitem o estrelato: Como dito acima, o culto é comunitário. A igreja canta junto numa só voz. A maioria esmagadora dos grupos de louvor cobre a voz da congregação devido ao alto volume do seu som amplificado. É preciso ter sensibilidade e evitar o exibicionismo. A congregação também encontra dificuldades quando a música escolhida tem um tom muito elevado, onde apenas o cantor consegue alcançar as notas. Ademais, quando um músico toca em uma apresentação fora da igreja, ele está apresentando sua arte, em muitos casos deve realmente demonstrar técnica e virtuosismo instrumental, mas, no culto solene o objetivo não é esse, é apenas acompanhar a melodia e conduzir o povo a louvar a Deus. Conduzir o louvor – e não se apresentar – é o propósito. Entendeu?

IV) Não queiram ser os mais importantes no culto: Como foi frisado, o momento de louvor é para a igreja cantar ao Senhor. Sendo assim, não é o momento para orações extensas e pregações no meio da música. A pregação será realizada pelo pastor. A música na igreja não pode ofuscar a pregação. Em muitos lugares temos de quinze à vinte minutos de pregação e quase duas horas de música. Nesse caso, tanto o pastor como os músicos devem ter ciência que estão em desobediência a Palavra de Deus e invalidando a pregação do evangelho. A música comunica o evangelho, mas, a pregação foi o meio criado por Deus para que os homens creiam e se arrependam dos seus pecados. Não se pode reposicionar a música no lugar da pregação. E também, o momento do louvor não prepara o coração da igreja para a pregação, quem prepara a igreja para o momento da exposição da Palavra é o Espirito Santo. Não acredite que o momento do louvor é mais importante no culto, pois não é. A pregação é o momento que Deus fala com sua igreja. A pregação foi determinada por Deus como meio de transmissão de sua poderosa graça, pois nela, a Escritura é exposta e por meio da exposição bíblica o Espírito Santo age convertendo corações. Tenham cuidado para não negligenciar aquilo que Deus deu importância no seu culto.

V) Zelem por uma boa conduta: Os músicos cristãos devem ter uma vida piedosa, santa e não escandalosa e ímpia como acontece em alguns casos. Tocar na igreja não pode ser um passatempo, mas, um exercício piedoso. Componentes carnais, insubordinados ou estrelas devem se arrepender ou então serem afastados de seus afazeres nas atividades musicais na igreja. Os músicos cristãos devem reger suas atividades diárias pela Escritura Sagrada. Devem ler a Bíblia, amar a Palavra de Deus. O momento de louvor não é um show, aqueles que cantam e tocam na igreja devem saber que sua presença a frente da congregação é algo de responsabilidade para com Deus e não para inflar o ego. Por isso deve-se atentar também até para o tipo de roupa do grupo. Mulheres com roupas extremamente apertadas e sensuais, ou homens da mesma forma amantes de si mesmo e da sensualidade não podem estar a frente desse momento solene no culto.

VI) Dediquem-se a música com esmero: Os músicos crentes devem estudar seu instrumento (isso inclui a voz) de forma excelente. Devem ser bons músicos, pois estão fazendo para glória de Deus. Certa feita, um sapateiro perguntou para Lutero o que deveria fazer para agradar a Deus. O Reformador lhe respondeu dizendo que ele deveria cuidar dos sapatos de maneira caprichada, assim, poderia até “engraxar sapatos para o louvor do SENHOR Deus”. Os músicos cristãos devem ter boa técnica e conhecer os mais variados gêneros musicais, devem ser exímios conhecedores de sua arte. Deus é o autor de todas as coisas. O grande artista que fez o homem a Sua imagem e semelhança, dotando o ser humano com vários dons. A música é um dom divino e precisa ser executada e desenvolvida com uma mentalidade reverente. O compositor erudito Johann Sebastian Bach entendeu isso. Ele compôs suas sinfonias dando o máximo de si e ao final de cada partitura colocava a sigla S.D.G. (Só a Deus Glória, do latim Soli Deo Gloria).

VII) Envolvam-se com a Igreja: “Meu ministério é tocar/cantar”. Esta é uma frase comum, todavia enganosa. Cantar ou tocar um instrumento é um dom que pode ser colocado a serviço da igreja, todavia, ministério é algo que é indispensável. Vamos tornar mais claro: A igreja sobrevive sem guitarra ou sem bateria. A igreja ainda será igreja mesmo sem a voz aveludada de um cantor talentoso. Todavia, a igreja não pode deixar de lado a pregação do evangelho, o discipulado, a administração dos sacramentos e o diaconato. Logo, envolvam-se para além da música e sirvam num ministério, seja ele de ensino, de evangelismo ou de ação social. Não limitem a vida cristã aos ensaios para os cultos. Ser um discípulo de Cristo deve ultrapassar – e muito – a esfera da musicalidade.

Bem, aqui finalizamos na expectativa que tais conselhos ajudem a todos os que trabalham com a música nas congregações. Falamos como irmãos em Cristo, e membros que amam a Igreja do SENHOR, valorizando o culto comunitário como sendo uma fonte vigorosa que nos incentiva no caminho do Evangelho.

Graça e Paz.

Thomas Magnum e Thiago Oliveira (Revisão: Filipe Castelo Branco)
Cante as Escrituras