Os 7 Principais Erros do Louvor Neopentecostal

segunda-feira, 29 de agosto de 2016


Assim como fiz num outro texto, ao afirmar que acredito que muitos pastores neopentecostais não agem de má fé em defender seus pressupostos teológicos, julgo importante também afirmar que acredito que boa parte dos líderes de música das igrejas neopentecostais amam a Cristo e desejam servi-lo com integridade, honestidade e compromisso. Entretanto, em virtude do desconhecimento das Escrituras, além é claro de não terem sido qualificados biblicamente por seus pastores para o ministério de louvor em suas igrejas, cometem erros crassos, os quais tem contribuído com o adoecimento de parte da igreja, como também com uma visão equivocada do Cristianismo.

Ressalto também que o propósito deste texto não é criticar ritmos, estilo e forma de louvor, mesmo porque, creio num louvor multicultural, diferenciado por aspectos culturais distintos, cujo objetivo final seja a glória de Deus.

Isto posto, afirmo que proposta desta reflexão é avaliar à luz da Bíblia e da Teologia os sete erros mais comuns cometidos pelos irmãos neopentecostais na condução do período de louvor com música nas mais variadas igrejas no Brasil.

1.) A valorização da música em detrimento a pregação da Palavra

Boa parte dos denominados cultos evangélicos dedicam muito mais tempo a música do que qualquer outra coisa. Outro dia fiz uma pesquisa no BLOG tentando descobrir a opinião dos leitores quanto aquilo que seja mais importante num culto. Na ocasião eu ofereci duas opções clássicas, isto é, o louvor e a Palavra. Para minha surpresa mais de 60% dos leitores responderam dizendo que o louvor era mais importante.

Caro leitor, ao contrário dos adeptos do movimento gospel brasileiro, o reformador francês, João Calvino, via a pregação do evangelho como o centro da vida e obra da igreja. Ele cria que a pregação era central na igreja porque ela era o modo de Deus salvar o Seu povo, até o ponto dele se considerar também um ouvinte:“Quando eu subo ao púlpito não é para ensinar os outros somente. Eu não me retiro aparte, visto que eu devo ser um estudante, e a Palavra que procede da minha boca deve servir para mim assim como para você, ou ela será o pior para mim.”, dizia ele.

Para Calvino a pregação da Palavra era um meio de graça para o povo de Deus – “Quando nos reunimos em nome de Deus”, ele dizia, “não é para ouvir meros cânticos” (diferentemente da nossa geração que valoriza extravagantemente o momento de louvor). Para Calvino, os que desenvolviam tais práticas se alimentavam exclusivamente de vento. Além disso, Calvino cria que a pregação deveria ser “sem exibição”, para que o povo de Deus pudesse reconhecer nela a Palavra de Deus e para que o próprio Deus, e não o pregador, pudesse ser honrado e obedecido.

2.) Antropocentrismo cúltico

Infelizmente os louvores cantados em nossas reuniões são extremamente antropocêntricos, o que nitidamente se percebe em nossos encontros congregacionais. Se fizermos uma análise de nossas liturgias, chegaremos a conclusão que boa parte das canções que entoamos são feitas na primeira pessoa do singular, cujas letras prioritariamente reivindicam as bênçãos de Deus.

Pois é, numa liturgia preponderantemente hedonista, os evangélicos tem feito da música um instrumento de sensibilização a Deus onde o objetivo final são as bênçãos do Senhor.

Caro leitor, sem sombra de dúvidas vivemos dias complicadíssimos onde o Todo-poderoso foi transformado em gênio da lâmpada mágica, cuja missão prioritária é promover satisfação aos crentes. Diante disto, precisamos orar ao Senhor pedindo a Ele que nos livre definitivamente desse louvor, filho bastardo da indústria mercantilista gospel, o qual tem nos empurrado goela abaixo, conceitos e valores anticristãos cujo objetivo final não é a glória de Deus, mas satisfação dos homens. Da mesma maneira, necessitamos clamar ao Pai pedindo-o que nos liberte do louvor engessado, feito de cabeças baixas e bocas carrancudas, de letras difíceis, de músicas duras, sejam elas importadas ou brasileiras.

3.) Entretenimento litúrgico

A Igreja não foi chamada por Cristo para promover entretenimento. Charles Spurgeon, um dos maiores pregadores de todos os tempos, afirmou há quase 150 anos, que o adversário das nossas almas tem agido como o fermento, levedando toda a massa. Segundo o príncipe dos pregadores, o diabo criou algo mais perspicaz do que sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las. Spurgeon afirmou que a igreja de Cristo não tinha por obrigação promover entretenimento àqueles que a igreja visitava. Antes, pelo contrário, o Evangelho com todas as suas implicações precisava ser pregado de forma simples e objetiva. Todavia, em nossos dias, boa parte dos nossos jovens se reúnem com o propósito exclusivo de se divertir. Para tanto, usam do nome de Deus, fazendo do Criador um tipo de animador onde o que importa no final é a satisfação pessoal. Diante disto, não tenho a menor dúvida de os que agem desta maneira desobedecem escancaradamente ao terceiro mandamento, que é tomar o nome do Senhor nosso Deus em vão. Isto afirmo pelo fato de que as estruturas criadas para alegria de nossos jovens não visam a glória de Deus e sim a satisfação humana. Na verdade, os eventos gospel usam o nome de Deus de forma interesseira e egoísta, fazendo dele o protagonista de nossas diversões pessoais.

4.) A “pregação” em meio ao louvor

Boa parte dos louvores neopentecostais são intercalados com curtas palavras e pregações que muitas vezes visam defender a teologia da prosperidade e a confissão positiva. Nessa perspectiva é comum aos condutores de período de louvor incentivarem aos irmãos a desenvolverem uma espiritualidade focada na satisfação pessoal. Ora, ao contrário do que temos visto e aprendido, o período de louvor com música não foi criado para a nossa alegria e plenitude. Muito pelo contrário, a adoração na “comnnunion Sanctos” visa exclusivamente a glória de Deus.

5.) Músicas com letras desprovidas de boa teologia e fundamentos bíblicos

Essa talvez seja uma da principais características dos louvores neopentecostais. Veja bem, vale a pena ressaltar que boa parte dos cantores neopentecostais não compõem canções equivocadas teologicamente por que assim desejam. Não. Não o fazem. Na verdade as composições distorcidas de boa teologia se deve ao fato dos músicos não receberem da parte de seus pastores ensinos centrados nas Escrituras.

6.) Músicas cujas letras estão desprovidas de doutrinas fundamentais da fé cristã

Uma dos erros mais comuns do louvor neopentecostal é não cantar a sã doutrina. Nessa perspectiva é comum não encontrarmos em nossas letras, ênfases a doutrinas como salvação pela graça mediante a fé em Cristo Jesus, perdão de pecados, arrependimento, volta de Cristo e vida eterna.

7.) Ausência de foco na glória de Deus

Uma das características do louvor neopentecostal é o bem estar do homem e não a glória de Deus. Nessa perspectiva, as canções cantadas, os louvores entoados ou até as ministrações variadas, são eminentemente focadas no brilhantismo humano esquecendo portanto que tudo aquilo que fazemos deve ser feito para a glória de Deus.

Volta as Escrituras:

Penso que se os excelentes músicos neopentecostais se regressarem as Escrituras e permitirem com que a Palavra de Deus norteie suas vidas e ministérios, a Igreja evangélica brasileira será ricamente abençoada. Acredito mais do que nunca que necessitamos regressar as Escrituras, cantar as Escrituras, bem como viver as Escrituras.

O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro. Em tempos difíceis como o nosso, precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento.

Soli Deo Gloria,

Renato Vargens
Cante as Escrituras

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