Pessoas feridas, precisam ser curadas!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016


Pessoas feridas ferem outras pessoas, precisam ser curadas!

Por muito tempo eu escutei a frase "Pessoas feridas ferem outras pessoas", eu acreditava fielmente e sempre pensava nela quando via pessoas feridas emocionalmente ferindo a outras. Eu simplesmente não sabia o que fazer, porque era uma espécie de círculo, sabe?! Mas na verdade não é assim que deve ser! Imagine se cada vez que alguém ferido/magoado emocionalmente fizesse o mesmo a outras, que tipo de sociedade teríamos? 

Infelizmente vemos muitos cristãos nessa condição. Precisamos entender algo: Se fomos feridos, devemos procurar cura e não pagar o mal com o mal. "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem." Rm 12:21.

O livro de Jeremias, no capítulo 8, narra a história de um povo que se afastou dos caminhos do Senhor e consequentemente foi castigado. Mas o povo ainda assim não deixava seus atos errados. Enfim no versículo 22, o profeta Jeremias pergunta com grande tristeza: "Não há nenhum bálsamo em Gileade?" 

Gileade era uma cidade que "produzia" um bálsamo, que era uma espécie de óleo usado como incenso e perfume, e, principalmente, possuía propriedades medicinais únicas. Tinha capacidade de curar e restaurar especialmente feridas. 

E o que esse bálsamo tem a ver com a nação israelita? O profeta Isaías diz: "Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã; há só feridas, contusões e chagas vivas;" Is 1.6.

O pecado e a conduta do povo eram comparados a ferimentos apodrecidos, os quais necessitavam ser curados. E quantas vezes nós guardamos as nossas mágoas e escondemos nossas feridas, assim como aquele povo? Todos os dias temos que lidar com injustiças, egoísmo e falta de amor. Com isso adquirimos feridas emocionais e espirituais. 

PARA QUE SEJAMOS CURADOS:

▪É necessário reconhecer que estamos feridos 

▪É preciso buscar ajuda 

"O médico de Gileade é Jesus. O bálsamo de Gileade é representado pelo sangue de Jesus e o poder do Espírito Santo. A igreja é Gileade, o lugar de cura. Receba a unção do bálsamo de Gileade e ajude a curar os que estão feridos." 

Sim, ainda há médico em Gileade!!!

Marcela Cardoso
Creio No Amanhã

As últimas palavras de Jan Huss


Jan Huss foi um precursor da reforma protestante na Boêmia sob a influência das ideias de John Wycliffe. A Igreja Moraviana, que existe até hoje, é herdeira de Jan Huss. Foi condenado por heresia e executado em uma fogueira no dia 6 de julho de 1415. Algumas de suas ideias mais radicais foram:

– Ser membro da Igreja hierárquica não é garantia de ser membro da verdadeira Igreja. Somente aqueles que foram predestinados por Deus antes da fundação do mundo são membros da verdadeira Igreja.

– Cristo somente e não o papa é o Cabeça da Igreja.

– Oposição as indulgências.

– Somente a Bíblia é a regra de fé e prática.

Um dos que estavam presentes na execução de Jan Huss foi o sacerdote católico romano Poggius Florentini, também conhecido com Poggius o papista. Ele foi o legado do papa que entregou a intimação para que Jan Huss comparessesse ao Concílio de Constança e depois participou do concílio como um membro votante. Foi neste concílio que Jan Huss foi condenado a morte. Depois da execução, Poggius escreveu para seu amigo Leonhard Nikolai duas cartas, que sobrevivem até hoje, contendo uma descrição detalhada no julgamento e morte de Jan Huss.

A obra contendo estas cartas em inglês podem ser compradas aqui. A primeira carta pode ser lida aqui. Um relato importante desta carta foram as últimas palavras de Jan Huss antes de morrer:

“Ele chegou até a estaca olhando para ela sem medo. Ele subiu nela depois que dois assistentes do carrasco haviam rasgado suas roupas… Naquele momento, um dos eleitores, o príncipe Ludwig do Palatinado, subiu e implorou que Huss voltasse atrás, para que fosse poupado da morte nas chamas. Mas Hus respondeu: ‘Hoje vocês assarão um ganso magro, mas em cem anos ouvirão um cisne cantar. Não serão capazes de assá-lo e nenhuma armadilha ou rede poderá segurá-lo’. O princípe voltou cheio de pena e muita admiração”.

O nome “Huss” significa ganso. Isso aconteceu em 1415. Noventa e sete anos depois foi 1512, o ano em que Martinho Lutero graduou-se Doutor em Teologia e foi recebido no Senado da Faculdade Teológica com o título de Doutor em Bíblia. E 1515, exatamente cem anos depois da morte de Jan Huss, foi o ano em que Lutero começou a lecionar sobre a Epistola aos Romanos. Foi ai que, segundo seu próprio relato, ele foi convencido da justificação pela fé com base em Romanos 1.17, o acontecimento que acabou desencadeando a Reforma Protestante.

Diante disso, Martino Lutero acreditava que as palavras de Jan Huss foram uma previsão que se cumpriu nele. Ele escreveu sobre isso ao comentar um Edito Imperial promulgado em 1531:

“Eu, Dr. Martinho, fui chamado para esse ofício e fui compelido a me tornar um doutor, sem qualquer iniciativa minha, mas por pura obediência. Então eu tive que aceitar o ofício de doutor e fazer um juramento de que eu pregaria e ensinaria com fidelidade a minha tão amada Sagrada Escritura. Enquanto eu estava engajado no ensino, o papado cruzou meu caminho e queria me impedir… Mas não me impedirá. No nome e na vocação de Deus, eu andarei sobre o leão e sobre a víbora e pisarei com meus pés no filhote de leão e no dragão. E isso que começou durante a minha vida se completará após minha morte. São Jan Huss profetizou de mim… ‘Assarão um ganso agora (porque “Huss” significa “ganso”), mas em cem anos ouvirão ouvirão um cisne cantar e terão que aguentá-lo’. E assim será, se Deus quiser”. (Lutherʹs Works, Volume 34, p. 103)

Aparentemente, não era somente ele que se via como o cumprimento do oráculo de Jan Huss. Isso chegou a ser mencionado pelo Rev. Johann Bugenhagen no sermão de seu funeral:

“Mas em meio a tristeza, devemos reconhecer também a graça e misericórdia de Deus conosco e agradecê-lo por ter acordado por seu Espírito o querido Dr. Martinho Lutero para ir contra as doutrinas anticristãs do abominável e satânico papa e contra as doutrinas do diabo somente cem anos depois da morte do santo Jan Huss (que foi morto pela verdade em 1415), como o próprio Jan Huss profetizou antes de sua morte de um cisne futuro. Huss significa “ganso” na língua boêmia. ‘Vocês estão assando um ganso’, disse Huss, ‘mas Deus levantará um cisne que vocês não queimarão ou assarão’.

Frank Brito
Resistir e Construir